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Darwin: Deixando Mandetiba, pusemo-nos novamente a atravessar um intrincado deserto de lagoas. Em algumas havia conchas de água doce; em outras de água salgada. Entre as conchas de água salgada, encontrei grande profusão de Limnaea numa das lagoas, que segundo me afirmaram os habitantes, o mar invadia uma vez por ano, e mesmo mais frequentemente, de sorte que água bastante salgada.
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| Lagoas à beira Mar: Marismas [1] |
Darwin: Não tenho dúvida nenhuma de que se poderiam observar muitos fatos interessantes sobre animais de água doce e salgada nesta cadeia de lagunas que margina a costa do Brasil. M. Gay’ declarou haver encontrado, nas imediações do Rio, conchas marinhas do gênero Solen e Mytilus e conchas de água doce, Ampullaridae, vivendo juntas em água salobra. Observei também, frequentemente, numa laguna próxima ao Jardim Botânico, onde a água é apenas menos salgada que no mar, uma espécie de Hydrophilus, muito semelhante a um coleóptero comumente encontrado nos fossos da Inglaterra. N referida laguna a única concha encontrada pertencia a um gênero habitual dos estuários.
Emboram não sejam exatamente dos espécimes descritos, as imagens abaixo ilustram os gêneros e famílias descritos.
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| Moluscos - Longueirão forma das espécies dos gênero Solen |
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| Mytilus edulis - espécie de mexilhão |
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| Caracol maçã, espécie de água doce da família Ampullaridae |
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| Hydrophilus sp. |
Darwin: Abandonando por algum tempo a costa, novamente penetramos na floresta. As árvores que se viam eram de grande altura e bastante notáveis pela brancura do tronco, quando comparadas às da Europa. Vejo pelo meu caderno de notas que as “maravilhosas parasitas com belíssimas flores” invariavelmente me pareceram ser a nota culminante da grandiosidade destas paisagens.
O que Darwin descreve como “maravilhosas parasitas” são, provavelmente, plantas epífitas como as bromélias ou orquídeas, que abundam na flora brasileira.
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| Bromélias epífitas |
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| Orquídea epífita |
A imagem abaixo prova que Darwin não estava exagerando.
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| Formigueiro Gigante |
Por Gladis Franck da Cunha
Referências e fontes:
1- Bug Guide
2- CARDOSO, André. Glossário das Zonas Costeiras. Gestão Costeira Integrada. 2007.
3- DARWIN, C., Viagem de um Naturalista ao Redor do Mundo - Vol.1, Nova edição, 1871. Abril Cultural. Companhia Brasil Editora, São Paulo, s/d. Tradução de J. Carvalho.
4- ISAAC. El caracol Manzana. El gran zoo, 2008.
5- Kalipedia.com
6- KELLER, Carlos. Cattleya forbesii ilha d’agua. Mundo das Orquídeas.
7- MIRANDA, Maura. Insetos e sua sociedade. Biologia Nota 10. 19 de maio de 2010.
8- RECHI, Edson. Caracterização do ambiente estuarino. Vitoria Reef – fórum de aquarismo. Setembro/2008.
9- SCHILLING, Voltaire. Darwin no Brasil. História - Brasil
Nota:
1- Marisma: é um ecossistema úmido com plantas herbáceas (ervas) que crescem na água. Não confundir marisma com pântano, pois eles são ecossistemas diferentes. Enquanto o segundo está dominado por árvores, o primeiro está por herbáceas. Seu tipo água é determinado de acordo com sua localização. Marismas costeiras podem estar associadas a estuários contendo água salobra e solos arenosos. Frequentando por inúmeras espécies, desde algas planctônicas, até um grande variedade de flora e fauna.
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