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Falo especificamente das funções intestinais, que apresentam um padrão bastante diferenciado entre homens e mulheres. Assim, enquanto meu marido continua impávido colosso, com suas funções digestórias funcionando normalmente, eu passei a sofrer de uma incontrolável ‘ timidez intestinal’ e o meu orgulho feminino de ter um intestino regulado, que funciona todos os dias, está caído por terra.
Triste sina feminina, que só não afeta uma minoria das mulheres, ficamos com o ventre preso em situações “menos” seguras, como são os banheiros públicos. O fato é que a circulação de pessoas estranhas pela casa está deixando os meus banheiros com jeitão de banheiro público. Mesmo com a dieta rica em fibras, frutas e água meu intestino se torna “ausente”, voltando a se manifestar apenas durante o almoço quando os pintores saem e somem as vozes e sons estranhos pela casa.O pior é que não adianta tentar impor racionalidades ou usar subterfúgios, pois, do mesmo modo que quando queremos dormir a qualquer custo parece que o sono some, ao forçar o funcionamento intestinal só pioramos as coisas. Diante deste quadro cabe perguntar-se por que com os homens as coisas costumam, na maioria dos casos, funcionar de forma diferente?
Daí a especulação de que os homens são como os lobos que costumam demarcar seu território usando urina e fezes.
Por exemplo, os lobos-guará vizinhos geralmente respeitam as fronteiras impostas por outros casais. Para isso, cada indivíduo deposita sua urina com odor extremamente forte e fezes em cima de pequenos morros ou cupinzeiros, delimitando as fronteiras de seu território. Estes odores fortes e exclusivos servem de sinal de "não invada" para os outros animais da espécie (Ecoloja: Conhecendo o Lobo Brasileiro). Por serem espécies carnívoras e caçadoras os lobos tem “armas” para se defenderem de seus inimigos, por isso fazem questão de registrar sua presença com odores marcantes. Do mesmo modo, os homens não se preocupam se os outros compartilham com ele seus cheiros e ruídos, especialmente quando estão no seu território.
Às Preguiças não interessa revelar sua presença, assim suas fezes são bastante secas e elas descem do topo das árvores, indo para o solo da floresta, aonde se tornam incrivelmente desajeitadas, apenas uma vez por semana com o objetivo de fazer suas necessidades fisiológicas. Essa estratégia tem funcionado bem, pois um animal saudável costuma viver entre 30 e 40 anos (Bicho-Preguiça: uma vida bem devagar).
Por isso especulo que as mulheres estão mais para o Bicho-Preguiça do que para os Lobos, ao contrário dos homens. A seleção natural pode ter favorecido esta diferença, uma vez que as mulheres ficavam com os filhos nos acampamentos, enquanto os homens saíam em bandos para a caça. Nesse caso, em “situações de perigo” era bem mais seguro não revelar a presença através de cheiros.
Esse argumento nos ajudaria a “explicar” o intestino feminino, mas quanto ao masculino, por que funciona diferentemente? Pode-se supor que para a proteção da prole o ideal é que os machos, ao saírem para as caçadas, levassem consigo seus cheiros e atraíssem os predadores para si afastando-os das mulheres e crianças acampadas. Para eles, mais fortes e armados esse seria um risco bem menor.
Em muitas espécies os machos se diferenciam das fêmeas. Helena Cronin necessitou de mais de seiscentas páginas para descrever os problemas conceituais e discordâncias entre Darwin e Wallace em relação às diferenças entre as caudas dos pavões machos e fêmeas. Ela também aborda várias tentativas de solução a esta questão tanto de defensores de Darwin quanto de Wallace, mostrando que este é um assunto espinhoso.
Por isso, não faço aqui mais do que especular, divertidamente sobre diferenças escatológicas entre homens e mulheres, a partir de uma pequena tragédia, tipicamente feminina, do “intestino preguiçoso”, ou melhor, dizendo, “assustadiço”, pois se não há solução o negócio é relaxar e gozar.
Referências:
CRONIN, Helena. A formiga e o pavão: altruísmo e seleção sexual de Darwin até hoje. Campinas : Papirus, 1995.
ECOLOJA: Conhecendo o Lobo Brasileiro.
SUA PESQUISA: Bicho-Preguiça: uma vida bem devagar.
FORA DA ROTA: Bicho-preguiça é mesmo preguiçoso?





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