Ele tem sido a grande vedete dos últimos anos dos salões do automóvel graças às suas características propaladamente ecológicas, mas não os vemos nas ruas. O que temos visto é uma miríade de carros-conceito, protótipos e boas intenções, mas de prático necas de pitibiriba.A culpa pelo fato de entrar ano e sair ano e sempre os lançamentos reais do carro elétrico ficarem para “o próximo ano”, não é, exclusivamente, da indústria do petróleo que, amiúde, é acusada pelas teorias da conspiração de querer dominar o mundo através do poder maquiavélico compartilhado pelas 7 irmãs. A ela não pode ser creditada a onipotência de ter inviabilizado o transporte elétrico até os dias de hoje.
Na realidade, alguns entraves tecnológicos nunca foram devidamente superados e as pesquisas não cessam na tentativa de resolvê-los. Assim, diante dos gigantescos obstáculos no caminho do carro elétrico, fica mais fácil entender porque a humanidade adotou em massa uma matriz energética baseada nos combustíveis fósseis e não nas tecnologias limpas, porém inviáveis, mesmo diante do grande avanço tecnológico.
Autonomia.
A tecnologia atual de íon-lítio embarcada nas baterias automotivas permite uma autonomia ao redor dos 100 quilômetros. A superação deste limite continua ainda ao nível de projetos, tais como este da empresa canadense Zenn Motor Co. cujo carro prometia em 2007 rodar 800 Km sem abastecimento.
Canadenses mostram carro elétrico com autonomia de 800 km [Terra].
Aparentemente o projeto ainda não vingou, porque em 2009 não são encontradas na internet menções sobre a sua implementação.
Tempo de carregamento das baterias.
A maioria dos carros elétricos requer de 6 a 10 horas de carregamento das suas baterias, o que torna árdua a sua utilização cotidiana e impraticável em viagens. Um projeto arrojado de acadêmicos do MIT nos EUA baixou este tempo para 10 minutos, com uma desvantagem: ele precisa de uma fonte de energia de 350 kW, o que convenhamos, é potência demais para ser obtida numa tomada elétrica doméstica, que mal consegue fornecer 8 kW para um chuveiro parrudo.
Leia mais em: Carro elétrico será carregado em 10 minutos [Terra].
Uma solução mais viável para resolver este problema é o aparelhamento de postos de abastecimento com um mecanismo automatizado de troca de baterias (Electric Car Battery Swap Station), ou seja, você posiciona o seu carro numa rampa e, em 1 minuto e 13 segundos, as baterias descarregadas do seu carro são substituidas por outras plenamente carregadas.
Better Place Unveils an Electric Car Battery Swap Station [Wired]
Poluição.
Uma dos grandes atrativos do carro elétrico é a sua emissão zero de gases causadores do efeito estufa. Entretanto, os seus processos de fabricação são os mesmos dos veículos convencionais, que são reconhecidamente geradores dos mais diferentes tipos de poluição. Além do mais, a maior parte das fontes de energia elétrica do planeta são altamente poluidoras: nuclear, carvão e petróleo.
Ademais aos problemas extrínsecos, há os de natureza intrínseca, já que nenhum país do mundo se vangloria de possuir reservas ociosas de energia elétrica, ou seja, para atender à demanda de uma futura e gigantesca frota de veículos, os países deveriam equacionar antes a questão da produção de eletricidade abundante e limpa. Ora, as coisas neste setor engatinham na mesma velocidade ostentada pela viabilização dos carros elétricos: passos de tartaruga.
Se você quer realmente fazer a sua parte no aquecimento global, [Vá de bicicleta]
Sistema de distribuição de energia.
Talvez o maior obstáculo para a vulgarização do carro elétrico seja a disponibilização de postos de abastecimento. Um exemplo emblemático é o caso da Alemanha; para os seus 41 milhões de veículos convencionais, há apenas mil (1000) carros elétricos rodando nas ruas.
Carro elétrico ainda é caro e de difícil recarga [jornal O Debate].
Assim, enquanto perdurar a impraticabilidade de se deixar um veículo carregando a bateria num posto de abastecimento durante 10 horas e não houver uma solução padronizada para o problema, o carro elétrico continuará sendo um produto mosca branca.
Soluções regionais para problemas regionais.
Certamente o modelo econômico globalizante adotado nos sistemas de produção, não está apresentando soluções adequadas para essa questão. Quaisquer das alternativas tecnológicas imaginadas para substituir a frota abastecida com combustíveis de origem fóssil esbarram em problemas de viabilidade local. Explico, como adotar maciçamente o carro elétrico na Polônia e China, se são países reconhecidamente dependentes de carvão para gerar energia elétrica? Assim como, em outros países tais como França e Estados Unidos, que dependem de Usinas Nucleares e petróleo, seria inócua a adoção pura e simples de uma nova tecnologia de transporte baseada em fontes notoriamente poluidoras.
Por outro lado, uma localidade como o Estado do Ceará, que está se notabilizando pela produção de energia elétrica a partir da energia eólica limpa, poderia muito bem ter a sua base de transportes movida à eletricidade, que lá é abundante e 100% renovável.
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