
Os diários de Darwin descrevem minuciosamente vários ecossistemas e algumas situações cotidianas de lugares da Terra que visitou durante sua viagem no Beagle, esboçando suas observações sobre História Natural e Geologia. Ao embarcar, Darwin tinha 22 anos, prestes a completar 23 no dia 12 de fevereiro, quando retornou ao solo inglês estava com 27.
A primeira versão do seu Diário foi publicada em 1845, nove anos após seu retorno, e a segunda, revisada, em 1871. A Abril Cultural publicou trechos selecionados dessa segunda edição que foram traduzidos por J.Carvalho num livro raro chamado “Viagem de um Naturalista ao Redor do Mundo”, sem referência à data de publicação. A idéia desse projeto é compartilhá-lo de forma comentada. O texto original do diário aparece em itálico, precedido pela indicação - (Darwin):
O início da viagem!
(Darwin): “Depois de haver retrocedido duas vezes ante a fúria de violentos temporais de sudoeste, o navio de Sua Majestade, um brigue de dez canhões, comandado pelo Capitão Fitz Roy, R.N., fez-se ao largo de Devenport no dia 27 de dezembro de 1831.”
Sua Majestade tratava-se de Guilherme IV, da Casa de Hanôver, que reinou durante todo período da viagem do Beagle até 1837, tendo substituído seu irmão Jorge IV, que reinou de 1826 a junho de 1830 [1]. Já o navio era um Brigue [2], ou seja, um antigo modelo de navio à vela. Note-se que apesar de ter retardado a partida duas vezes pelo medo das tempestades, os valentes navegadores acabaram se lançando ao mar numa viagem que duraria 5 anos e daria a volta ao mundo. Ao ver-se a fragilidade das embarcações temos que ressaltar a coragem dos antigos navegadores.

As medições cronométricas foram importantes para definição de um fuso horário mundial. Além disso, os ingleses desenvolveram boa parte das soluções usadas até hoje em cronometria. O sistema de fusos horários foi criado em 1883, numa conferência em Roma e em 1884, numa conferência realizada em Washington, nos Estados Unidos, foi estabelecido que o Meridiano de Greenwich seria usado como o meridiano central [3].
(Darwin): “No dia 6 de janeiro chegamos a Tenerife, porém fomos impedidos de desembarcar, pelo receio de contrair a cólera. Na manhã seguinte vimos o sol nascer por detrás da silhueta irregular da ilha Grande Canária e projetar subitamente a sua luz radiosa sobre o pico do Tenerife, cujas fraldas desapareciam em nuvens brancas de algodão. Foi este o primeiro dia de uma série inesquecível que contemplamos embevecidos.”
Por: Gladis Franck da Cunha.
Referência:
DARWIN, C. Viagem de um Naturalista ao Redor do Mundo - Vol.1, Nova edição, 1871. Abril Cultural. Companhia Brasil Editora, São Paulo, s/d.
Notas:
[1]- Fonte: Wikipedia
Próxima parte: *2*







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