A história automobilística demonstra um anacronismo impressionante: se pegarmos um motorista do século XIX e o transportarmos aos nossos dias, seguramente em 5 minutos ele terá aprendido a dirigir um dos nossos automóveis.Este pequeno exercício de imaginação demonstra o quanto o Bill Gates tinha razão quando declarou na COMDEX/1997 (*) que "Se a GM tivesse evoluído tecnologicamente tanto quanto a indústria de computadores evoluiu, estaríamos todos dirigindo carros que custariam 25 dólares e rodando 420km por litro".
A história automobilística, depois de 1 século engessada pelo paradigma do petróleo, originou contemporaneamente um futurismo pífio. Hoje as nossas projeções de carros de futuro são extremamente conservadoras, justamente o contrário do que imaginaram os nossos antepassados em 1930 para o ano 1980. No vídeo abaixo, um casal de noivos se encontra nos céus de uma megalópole futurista, cada um pilotando seu próprio carro voador. Eles, sem a menor dificuldade, comandam a flutuação dos carro e, enquanto os carros permanecem parados, o noivo se desloca do seu carro e caminha pelas asas dos dos veículos até chegar à cabine da noiva.
Via [Davidzondy]
Hoje, para que façamos um futurismo realmente verdadeiro, sem querer avançar muito na direção do teletransporte, precisamos quebrar o paradigma da carruagem sobre rodas. Não aceito um carro futurista ainda escravo da lógica do coche motorizado. O único fator que justifica a manutenção da filosofia atual e até o seu recrudescimento é se pensarmos no futuro como uma distopia, uma era pós-apocalíptica em que todos se voltam contra todos, onde cada um tenta escapar das garras do mais forte. O cinema nos proporcionou a magnífica distopia do Mad Max, em que é plenamente justificável um carro futurista do tipo superturbinado Ford XB
Falcon Hardtop V8 versão GT531, modelo 1973.
Num cenário de previsões para o futuro otimistas, portanto utópicas, os carros-conceito que aparecem nos salões de automóveis todos os anos continuam sob um conservadorismo inaceitável, quando se compara as histórias do automóvel e do computador. Enquanto hoje falamos em termos de computação quântica que vai multiplicar por centenas de milhares de vezes o poder computacional atual, os nossos carros ainda dependem da abrasão de pneus contra o solo, são movidos a motores antiquíssimos e poluidores que nada tem de diferente daquele embarcado no primeiro carro fabricado em linha de montagem, o modelo “T” de Henry Ford.
Bill Gates tinha razão e foi incompreendido. Graças a isto a GM, que divulgou um comunicado de desforra ao atrevimento do Bill desqualificando os produtos da Microsoft, está na falência afundada sob peso do conservadorismo. Enquanto isto, os computadores estão prestes a quebrar novamente o paradigma do silício, assim como o fizeram com a válvula e coma miniaturização.
Enquanto a história da computação está prestes a se entrar na sua 3º revolução, a indústria automobilística engatinha com seus motores gastadores, poluidores, ruidosos e fumacentos, sem perspectiva alguma de abandonar a concepção básica do 1º automóvel seriado a sair da linha de montagem em 1908.
Para fazer jus a um futurismo automobilístico realmente revolucionário, teríamos que falar em termos de reatores plasmáticos e flutuadores antigravitacionais e não em rodas, pneus, motores a combustão e lataria. Infelizmente, como a indústria se “desconectou” de um futurismo vanguardista, temos que apelar para as idéias amalucadas de desenhistas de Photoshop, estes sim com idéias que fariam Bill Gates engolir suas palavras.
Eis o automóvel do futuro, voador e dotado de reatores de antimatéria, construído a partir de sucatas de cargueiros espaciais. Só assim poderíamos nos vingar de Bill Gates!
(*) Update:
Conforme apontado pelo leitor Geleia, a declaração do Bill Gates e a resposta da GM é um Hoax (informação forjada na Internet a título de brincadeira) surgido em 1997. Apesar de falsa, mantenho a afirmação no texto porque ela ilustra muito bem a dicotomia entre as indústrias da computação e automobilística, pena que o Bill não tenha sido tão genial quanto o Fake dele!
Fonte: [Snopes.Com]
Por: Isaias Malta.
Artigo relacionado: Por que os Carros-Conceito do Salão do Automóvel não são Carros-Voadores?


13 comentários: