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Dispositivos anti-masturbação do século XIX até hoje.

03/06/2009

A masturbação sempre esteve cercada de tabus e severas restrições. Apesar dos esforços da educação sexual moderna em desdemonizar o hábito, algumas pesquisas científicas vinculam a prática ao aumento da incidência de câncer de próstata1. Enquanto isto, continua forte no imaginário popular a premissa de que a masturbação pode acelerar o amadurecimento sexual da criança, o que redundaria num menor crescimento corporal devido à irrupção prematura do hormônio testosterona.

Devido à condenação da masturbação por motivos de saúde e espirituais, ao longo da história a humanidade tem criado artifícios para evitar a ação de auto-estimulação, principalmente entre os púberes. O incrível desta história é que nos dias de hoje, quando se pressupõe que os dispositivos anti-masturbatórios sejam coisa do passado, descobrem-se produtos vendidos no mercado global que repaginam as antigas técnicas de combate à masturbação. É bem provável que tais artefatos jamais tenham saído de catálogo.

Dispositivo anti-masturbação do século XIX.
Apareceu no Ebay um raro dispositivo à venda, de cobre datado de 1880. O instrumento era fixado através de uma correia e servia para evitar tanto a auto-manipulação dos meninos, quanto os escapes noturnos de sêmem. Note que o dispositivo não impede o ato de urinar, pois tem orifícios justamente para isto.
Onde encontrar? Boigboing.

Aparelho elétrico anti-masturbação/polução noturna do início do século XX.
Esta curiosa máquina atualmente exposta no Museu do Sexo de Praga, na realidade não passa de um dispositivo anti-polução noturna.

O aparato fabricado em 1915 foi usado na França e tratava-se de um aparelho elétrico dotado de um anel que era atarraxado na base do pênis do garoto. Como se pode ver pela foto, o anel tem um interruptor que se comunicava com a máquina através de um longo fio.

A caixa de controle contendo o relé de acionamento e a campainha ficava no quarto dos pais, que eram acordados caso o filho tivesse uma ereção. Provavelmente o aparelho era comprado por famílias zelosas pela saúde espiritual do filho, para evitar que ele fosse atacado por espíritos malignos noturnos conhecidos na Idade Média como Súcubos.

Onde encontrar? Museu do Sexo de Praga.

Dispositivos atuais anti-masturbação.

Pomada anti-masturbação HandzOff.
Confere alívio por 6 horas. Nas situações em que o desejo se torna premente, a fórmula balanceada do produto contendo coco, soro de manteiga e essência de baunilha aumenta a sensibilidade da pele peniana, provocando dor no membro, caso o consumidor caia na tentação.

Onde comprar? Iliketotallyloveit. com – preço $ 9,50:

Chicletes anti-masturbação HandzOff.
As 8 pastilhas por caixa dão um total de 8 horas de proteção! Para evitar ereções nas horas mais inapropriadas e refrear o desejo incontrolável, tenha sempre à mão os chicletes HandzOff! (O comercial dos chicletes faz um trocadilho hilário com a expressão “ter sempre à mão”.)

Onde comprar? Sweet Shop - Preço $ 1,25.

Odorizador de Carro Anti-masturbação HandzOff.
Finalmente foi lançado o produto que você sempre desejou! O Desodorizador HandsOff resolve os problemas provenientes de ereções inesperadas durante os deslocamentos de carro. Você não precisa mais correr riscos estacionando em lugares perigosos para se masturbar, nem perder a atenção da estrada se masturbando enquanto dirige. A sutil flagrância de HandzOff produzida por seus ingredientes naturais, vai lhe trazer a tão sonhada paz no trânsito!
Atenção ao mote na barra inferior da embalagem: não se sacuda enquanto dirige!

Onde comprar? Merch-Bot - Preço $ 2,95:
Por: Isaias Malta.

UPDATE: Uma incrível coincidência aconteceu quando escrevi este Post no dia 3, pois no dia 4/06/2009 o ator David Carradine veio a falecer numa circunstância escabrosa: foi encontrado morto em uma suíte de um hotel de Bankok, Tailândia enforcado com uma corda, uma ponta atada ao pescoço e... o outro laço atado aos órgãos genitais. Ora, isto é um sistema antigo de masturbação em que o praticante amplia o prazer ao provocar um estado de hipoxia. O risco do sistema provém do fato do masturbador normalmente estar sozinho, quando ele pode entrar em inconsciência e não conseguir aliviar o laço do pescoço.

Infelizmente a imprensa brasileira não trouxe uma das versões desta história macabra: uma diz simplesmente que o ator foi encontrado com a corda atada ao pescoço e em "partes" do corpo, a outra afirma que estas partes eram a genitália.

Você pode tirar suas próprias conclusões lendo a versão do não suicídio de David Carradine no Blog News First. Isto tudo aconteceu porque David não usava os dispositivos químicos antimasturbatórios HandzOff!

Link relacionado:
1Masturbação provoca câncer de próstata via Uêba

11 comentários:

Mabia Barros disse...

Meldelz!!!

Primeiro: medo dessa marca aí, Handzoff... Mas até que, pensando aqui, tem situações em que evitar a ereção pode ser interessante... Já pensou se tá de sunga na praia e se empolga??

Caio Lausi disse...

Caramba, já tinha visto alguns dispositivos parecidos com o de cobre no topo do post, mas, pomada? chiclete? odorizador?

WTF?

Cada coisa que aparece.

Anônimo disse...

"não se sacuda enquanto dirige!"

nao eh "sacuda"...traduçao google nem sempre funciona...

jerk eh uma "giria"...como "punheta" no brasil...

Isaias Malta disse...

jerk, nem no Brasil sou obrigado a chegar aos mínimos detalhes das gírias. Este é um blog de família. ;)

Sebastião Junior disse...

dues é mais... antigamente tudo bem que tinha um tabu que bloqueava o esporte solitário, mas hoje todo mundo entende a situação do homem coitado, deixe-me ser feliz, pumada, pastilha e bom ar anti punheta é coisa de boiola.

Anônimo disse...

´bom ar anti punheta` ri muito disso kkkkkkkkkkkk

Anônimo disse...

Porra, se o maluco ficasse de mala com o primeiro dispositivo tava fudido!!! IUAHiUHAuiHAhIA

Tréb disse...

Não há nada melhor que masturbação: individual ou mútua.
São seguras e extremamente eróticas, não acham?

Isaias Malta disse...

Segura? O ator David Carradine morreu fazendo isto!

marca-gado disse...

Cara, imagina a mãe e o pai conservador observando uma ereção do filho rebelde em uma noite chuvosa? Sinistro.

Mario Ventura de Sá disse...

A masturbação é um comportamento absolutamente normal e pode estar presente em qualquer idade.
As fantasias vinculadas a ela e o acto em si são fontes de culpa universais. É importante que os pais possam permitir esse comportamento aos seus filhos, oferecendo a privacidade necessária, evitando que suas próprias vergonhas e repressões afectem o início da vida sexual das suas crianças.

A sociedade sempre tenta ditar limites de comportamento inclusive na parte sexual.

O tabu consagrado que infelizmente continua de pé é a informação conturbada e a falta de diálogo com os pais sobre o assunto. Proporciona assim gravidez indesejada, mães solteiras, planos e sonhos interrompidos, bebés abandonadas, mal cuidados, maltrados e até mortos. Nem sequer estou a falar de doenças sexualmente transmissíveis.

Agora temos que falar de educação sexual, não podemos adiar mais.

Será necessário educar os adultos primeiro?

O tema dos preservativos só é polémico porque ainda há quem não se queira habituar à ideia de que crianças e jovens não são marionetas dos pais: têm uma identidade autónoma e direitos específicos.
Este entendimento desrespeitoso sobre os menores de idade é uma a raiz dos problemas da educação. Quando se fala em educação sexual, os adultos mais conservadores (uma outra forma de dizer reprimidos, ou mal resolvidos) entram em urticária moral.
Entendendo a sexualidade como um cortejo de perversidades infinitas, uma coisa suja e feia, uma vertigem de prazeres que não se sabe onde irá parar, querem proteger os seus rebentos disso mesmo, ou seja, das suas cabeças torturantes e torturadas. Precisam da inocência dos outros para se redimirem, e associam a sexualidade à perda da inocência.
Querem controlar os pensamentos e actos dos seus meninos.
O terror manifestado pelas comunidades católica e muçulmana face ao uso dos preservativos é eloquente: dizem eles que o preservativo é "um incentivo" ao sexo. Parece-me que é preciso ter-se uma mente completamente ocupada por sexo para olhar para um bocado de látex e ficar a salivar de luxúria.

Os mais novos têm hoje muito mais informação sobre sexualidade do que os seus pais tinham com a mesma idade, o que significa também um decréscimo da curiosidade e do interesse em experimentar tudo já. O crescimento do mundo das relações virtuais é sintoma desta mudança, que se prende também com um sentimento de insegurança face aos contactos físicos.
Esta geração cresce no meio de um bombardeamento de notícias sobre pandemias, germes, contágios e crimes de pedofilia. Por outro lado, todo o conhecimento que os jovens têm sobre estas matérias é superficial e alarmista: sabem o que é a sida, em abstracto, mas sabem pouco sobre as formas de contágio e os perigos, e desconhecem o que sejam outras doenças sexualmente transmissíveis.

Continuam a circular mitos como os de que o coito interrompido (pobres garotas!) previne a gravidez, ou que não se engravida à primeira relação sexual, ou que a sida e as outras doenças do sexo só atacam os homossexuais. Por isso é tão importante que exista uma educação para a sexualidade.
Creio que o melhor sistema será introduzi-la na disciplina de que ela faz parte: as ciências da natureza.

Os jovens têm direito a saber como funciona o corpo humano e o que pode acontecer com ele nas relações íntimas. Educação para a intimidade, felizmente, não há: o que somos na cama é o somatório do que somos e sonhamos fora dela.

Qualquer que seja a nossa idade. Respeitemos isso.

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