Apesar da era computacional ter caminhado a passos de gigante, ela nos deu alguns equipamentos que torturaram durante anos os usuários, que no princípio eram NERDS de carteirinha e hoje pode ser qualquer um, até o velhinho que vai receber seu salário mínimo no computador de auto-atendimento da agência bancária.
Cartão perfurado.
Antigamente os cartões eram escritos em formulários quadriculados e depois digitados numa máquina perfuradora de cartões. Eventualmente, o office-boy que carregava uma pilha de cartões, trocava as pernas e derrubava tudo no chão. Estes eventos cômicos foram uma das ocasionais catástrofes dos primórdios da computação.
Mainframe.
A informática nasceu com os grandes computadores que ocupavam andares inteiros de prédios gigantescos. Com a miniaturização dos circuitos, eles foram encolhendo, encolhendo e foram para o lixo. Hoje a maioria das empresas prefere abordagens de processamento em rede, do que apelar aos mastondontes digitais de priscas eras. Assim, os Mainframes de poucos anos atrás vão para o lixo E-Waste e são exportados, entre outros lugares, para a África, para poluir o meio ambiente e contaminar a pobretagem africana.
O declínio da era do Mainframe coincidiu com a explosão dos computadores domésticos, ou seja, na transformação do computador em bem de consumo de primeira necessidade no lar.
Mouse de Bolinha.
Quem não se irritou com estes mouses que trancavam a todo momento devido à sujeita que se acumulava com o uso? Alguns deles eu atirei na parede!
Disquetes de 8, 5 ¼ e 3½ polegadas.
A tecnologia de guardar dados em mídias magnéticas molengas foi um pesadelo que durou décadas. Na era do floppy disk, quando eu tinha que transportar dados valiosos usava a seguinte tática: gravava três disquetes, um original, um backup e um para me prevenir quando o diabo estivesse solto. Foi uma das traquitanas tecnológicas menos confiáveis que a informática já inventou.
Terminal de computador.
No princípio dos tempos não havia monitor gráfico. Havia os chamados “terminais burros”, os terminais TTY que mostravam apenas letras e números nas cores Verde, ou Branca, ou Âmbar (laranja). Os não-NERDS morriam de medo de chegar perto das tralhas, tomadas por eles como máquinas diabólicas de deixar neguinho louco.
Impressora matricial.
Se você pensa que o som de uma Rave é o barulho máximo que os seres humanos podem produzir, é porque nunca visitou uma sala de impressão repleta de impressoras matriciais corporativas funcionando a todo o vapor.
CD - Compact Disc.
Um dos meios de armazenamento mais complicados já inventado. Atualmente ele está completando quase 3 décadas de vida, porém é lento, tem pouca confiabilidade e até hoje a maioria dos usuários não aprendeu a finalizar o processo de gravação. Já cansei de receber CDs com “coisas gravadas dentro”, completamente vazios. Isto porque as pessoas não atinam configurar os complicados programas de gravação. Portanto, é uma tecnologia que ainda continua torturando aqueles que não se renderam às facilidades das memórias Flash USB.
Além disto, os CDs podem durar bem pouco.
Impressora jato de tinta.
Jamais a informática inventará uma coisa mais suja, tosca, ridícula e imbecil do que a tecnologia das impressoras de jato de tinta. Eu sofri anos nas mãos delas, cartuchos explodiram dentro das impressoras, explodiram na minha mão, imundeceram a minha casa, etc. Fiquei anos carregando cartuchos com seringas e agulhas, fazendo buracos neles, enfiando bolinhas de aço, etc. Neste meio tempo tomei alguns banhos de tinta e detonei irremediavelmente algumas roupas.
A gota d’água final foi quando tentei instalar numa impressora HP Inket Buseness 1000 uns cartuchos vendidos através da Internet que prometem ser Chip Full (os cartuchos não perdem a validade) e têm o sistema Bulk, ou seja alimentação contínua de tinta. A traquitana simplesmente não funcionou e tive que mandar todo o kit dos diabos de volta para loja e... desisti no sagrado ano de 2008 de chegar perto de qualquer impressora jato de tinta que cheguem a fabricar.
Vou fazer um post específico sobre este perrengue, mas por ora, compartilho com vocês um texto que achei no Meiobit de um carinha que tomou a mesma de decisão que a minha: depois de 8 anos de sofrimento, ele partiu para uma impressa a Laser e ficou feliz da vida.
Mouse “clitóris” do notebook Thinkpad da IBM.
Só quem teve o Notebook da IBM sabe o que é tentar manejar um clitóris metido a mouse de ponta de dedo. Para quem não sabe o que foi isto, observe na foto a seguir o botãozinho vermelho no meio do teclado. Sim, aquela coisinha que se mexia para todos os lados, funcionava à guisa de mouse.
Formulário contínuo.
Quem trabalhou com impressora matricial alimentada por formulários contínuo, aprendeu o quanto era danoso deixar o bixo funcionando desassistido. Volta e meia a coisa caia na síndrome do leite derramdo; no único instante em que você desviava a atenção, o papel desalinhava, rompiam as remalinas que o engatavam nos tratores e trancava tudo.

Fita de Backup.
Uma vez eu trabalhava no CPD de um cliente, fazendo melhorias num programa em COBOL, quando cometi uma burrada na programação e, como não tinha feito backup no disco rígido, tive que pedir à Analista de Sistema do escritório para baixar o backup de disco do dia anterior.
Resultado: a fita deu pau e como eles faziam backups apenas uma vez por semana, perderam uma semana de dados e eu perdi uma semana de modificações no programa de contabilidade.
O paranormal Uri Geller tentando impregnar impressões numa fita magnética do computador da Universidade Tokai.A famigerada Internet discada e o patético modem 2k4.
Há alguns anos, quando a Internet finalmente se dignou a chegar no Brasil, vivíamos à base de conexões discadas via Dial-Up e tínhamos a paciência torrada a velocidades lancinantes de no máximo 2400 bps! Depois adquiri um modem Zoltrix 14k e depois cheguei no céu com um modem US Robotics de 56k bps.
Ahh... eu configurava o modem para emitir o ruído característico da negociação de protocolos de conexão, até que, quando conseguia finalmente conectar ao provedor, ficava silente. Então era hora de trabalhar rapidamente para descarregar os emails, pois naquela época ninguém ficava online devido ao susto da conta telefônica no final do mês. No máximo, ficávamos navegando online a partir da meia noite até às seis da manhã, quando a ligação telefônica contava somente um pulso.

Leitura adicional.
Confessions of an Antediluvian Geek - A personal history of computing.










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