27/10/2008

Top 10 das Cidades Imaginárias.

O que seria da vida humana na terra sem as utopias, construções mentais que sonham civilizações perfeitas em realidades alternativas? A discrepância entre a utopia sonhada e a concretude cotidiana, se por um lado deu origem às distopias – a negação das utopias, por outro, ensejou o surgimento de outras. Pelo fato das cidades imaginárias sintetizarem as manifestações mais palpáveis das utopias, o estudo destas idealizações pode levar a uma melhor compreensão dos anseios e medos do homem em relação ao seu próprio futuro.

1- Metropolis de Fritz Lang, a cidade futurística retratada no primeiro filme de ficção científica da história.
A cidade futurista de Metropolis concebida em 1926, é física e socialmente dicotômica: enquanto a superfície abriga cidadãos livres e entregues a atividades lúdicas de toda a sorte, os subterrâneos são habitados por um exército de trabalhadores que se extenuam em trabalhos mecânicos e braçais. O motivo da estrutura dicotômica reaparece com toda a plenitude no filme de Ridley Scott, Blade Runner, décadas mais tarde.

Não obstante as construções titânicas conectadas por modernos viadutos e passarelas e aeronaves incessantemente cruzando os céus, não há quaisquer vestígios de elementos naturais em seu horizonte inexistente. Enquanto isto, aos subterrâneos está entregue a corja de trabalhadores que operam as máquinas em regime desumano, numa crítica às seqüelas que a recém implantada revolução industrial já incrustava nas sociedades européias.

2- La Città Nuova, a arquitetura visionária de 1913 fundamentadora da concepção de Brasília.
Foto: Flickr.
Antonio Sant’Elia concebeu a sua “Cidade Nova” entre 1913 e 1914, na entrada da Itália na Revolução Industrial. Tal acontecimento forneceu o pretexto para a emergência do movimento artístico denominado “Futurismo Italiano”, que atraiu poetas, escritores e arquitetos. Diante das novas perspectivas alvissareiras, era urgente projetar cidades para um futuro que se desenhava ditoso, que rompesse definitivamente com a organicidade da era vitoriana que fechou o século XIX.

Contrapondo-se aos pesados elementos decorativos característicos do século XIX, era preciso, para fazer frente aos novos tempos, partir para uma nova arquitetura que privilegiasse a função, deixando a estrutura nua, sem sobreposições ornamentais. As concepções nascidas sob os desenhos da “Città Nuova” foram decisivos na formação do ideário que levou à construção de Brasília: uma cidade projetada para o futuro, não apenas como cidade limpa e isenta de problemas urbanos, mas como símbolo de uma futura “civilização brasileira” que tivesse na tecnologia o seu elemento dinamizador.

Todavia, a utopia de Brasília se transformou em paradoxo: o mesmo planalto central que abriga o desenho utópico do plano piloto da ilha da fantasia de Brasília, testemunhou a invasão da organicidade da miséria penetrando por todos os lados e se cristalizando sob a forma de cidades satélites que asfixiam o sonho brasileiro asséptico, demonstrando o quanto uma utopia pode se transmutar em distopia ao longo de 40 anos.

3- A distopia da Los Angeles do filme Blade Runner.
A arquitetura da Los Angeles do Filme Blade Runner representa uma retomada da idéia esboçada no filme Metrópolis de Fritz Lang de 1926. Ela simboliza a falência do urbanismo moderno, pois representa uma postura crítica diante do esgotamento da cidade utópica do futuro.

Assim como na Metrópolis de Fritz Lang, a Los Angeles dos replicantes é divida em dois níveis: enquanto as cenas iniciais do filme retratam um aerocarro chegando numa gigantesca construção que povoa uma “superfície aérea” superdesenvolvida tecnologicamente, na superfície profundamente abaixo, no reino das ruas de verdade, se movimenta a vida cotidiana dos cidadãos em becos escuros, úmidos e apinhados de velharias.

O “pós-futurismo” expresso em Blade Runner é a negação da vanguarda arquitetônica italiana da primeira década do século XX, emblemática dos anseios de realização humana na era da máquina. Em face da realidade presente no encerramento do século passado não ter correspondido às utopias imaginadas nos seus primórdios, uma Los Angeles escurecida e dualística surge na tela, sintetizando a incapacidade da civilização humana de resolver as suas velhas mazelas sociais.

4- Zion, a cidade subterrânea do filme Matrix.
Num futuro alternativo, em pleno deserto do real, a maioria dos humanos foi forçada a habitar as profundezas do planeta, depois de terem sido expulsos da superfície pelo reino das máquinas. Em cavernas subterrâneas, uma resistência é estabelecida, que dá origem a Zion – uma cidade semelhante ao cupinzeiro, atravessada por galerias interligadas. Os ramais terminam em seções onde se localizam pequenos povoados, todos orbitantes de uma central de máquinas responsáveis pelas funções vitais da cidade, tais como oxigenação, tratamento do lixo, purificação da água, etc.

Assim como a cidade de Genosha, Zion é ciclicamente destruída pelo império das máquinas, quando uma nova dinastia de humanos é iniciada, a cada advento de um novo “escolhido”.

5- Les cités obscures, a contrapartida utópica das cidades reais.
François Schuiten e Benoit Peeters criaram o álbum “Les Cités obscures”, consistindo em 12 Graphic Novels, que descrevem um universo paralelo, muito similar à Europa, porém com diferenças significativas.

Algumas cidades européias são redesenhadas em sua contraparte utópica: Bruxelas-Brüssel, Paris-Pâhry, Genebra-Genova, etc. Cada cidade destas, na sua contraparte fantástica, expressa ideais utópicos que se espelham nas concepções futuristas de Júlio Verne, Luis Borges e outros autores.

6- Urville, uma utopia adolescente.
A cidade de Urville nasceu em 1984, quando o seu autor Gilles Trehin tinha apenas 12 anos de idade. Desde lá, ele vem adicionando mapas e dados, robustecendo o universo paralelo de uma Europa alternativa. Em março de 2007, Gilles publicou um livro sobre a cidade, onde assim ela é descrita: Urville é a capital de uma grande província localizada numa ilha, com uma população de 12 milhões de habitantes, o que a faz uma das cidades mais importantes da Europa.

Esta utopia adolescente segue a linha ufanista preconizadora da possibilidade da resolução dos problemas urbanos por via tecnológica. O colapso energético que se avizinha e as alterações climáticas globais, pouco corroboram com tais visões otimistas do futuro.

7- Gottham City, a famosa cidade gótica de Batman.
Foto: Judão
Apesar de ser habitada por outros heróis do universo DC Comics, Gottham City sempre será lembrada como a cidade de Batman. É praticamente uma distopia das cidades modernas, sombria, misteriosa e gótica, ela é um centro urbano repleto de problemas e refém da criminalidade. Alguns autores comentam que Gottham e a Metrópolis do Super Homem encerram a simetria de uma mesma moeda – de dia a Gottham soturna de Batman é a Metrópolis “clean” e resolvida do Super Homem, ou seja, a mesma cidade, dependendo da hora do dia em que é observada, revela diferentes traços da sua personalidade.

8- Cidade 17 do playgame Half Life 2.
A Cidade 17 do play game Half Life 2, representa uma interessante convivência entre duas civilizações: a humana e uma raça alienígena invasora da terra, a Combine. O objetivo da civilização Combine é assimilar outras civilizações submetê-las ao seu poder, adaptá-las e reconstruí-las para atender aos seus propósitos imperialistas.

O estilo da Cidade 17 é tributário das cidades do leste europeu, algo neoclássico, sombrio e pesado, também lembrando São Petersburgo na Rússia, assim como também Odessa, Sevastopol e Riga. O destaque fica por conta da Cidadela, uma torre de 3000 metros de altura construída pelo império alienígena Combine, centro do poder e símbolo da dominação.

9- Genosha, a cidade dos mutantes da Marvel Comics.
Genocha é uma pequena ilha-nação localizada ao norte das Seicheles, na costa leste da África. É conhecida como a “terra verde e prazerosa”, por sua altíssima qualidade de vida. Contudo, os grandes avanços tecnológicos e econômicos não conseguem ocultar um conflito básico: Genosha foi construída com um único intuito – o de abrigar uma população mutante escorraçada no resto do mundo. Os seres humanos geneticamente modificados isolados numa ilha fornecem a metáfora necessária ao fundamento das guerras; a incapacidade humana de conviver com o diferente, desde fatores étnicos, até os econômicos e geográficos. Genosha, apesar de ser um paraíso, padece do insidioso destino de ser atacada pelo resto da humanidade não-mutante.

10- SymCity, a primeira cidade dos videogames.
A recente emergência da tecnologia digital doméstica no início da década de 80 permitiu o desenvolvimento de um jogo do tipo “controle”, onde uma cidade pode ser criada e gerida pelo usuário. Com a popularização dos videogames, que se tornaram um fenômeno global, a cidade imaginária SymCity não poderia deixar de ser mencionada.

4 comentários:

  1. A minha cidade no Sim City era linda

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  2. muito bom o tópico, mas por se tratar, de cidades utópicas e futuristicas, eu acho q faltou mencionar Corusçant, o planeta cidade de star wars....

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  3. Vulture a cidade do Bioshock

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  4. metropolis e smallvile do superman

    ou para os mais fãs de ficção, coruscant a cidade-planeta de star wars

    para os fãs de senhor dos aneis Minas Tirith, do reino de gondor

    essas tb não poderiam deixar de ser mencionadas :D

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