O exemplo mais evidente do que é determinismo é a passagem do tempo. A ciência moderna se valeu de abordagens determinísticas para descrever os fenômenos que ocorrem ao longo do tempo: orbitação dos planetas, atração gravitacional, movimentação dos fluídos, assuntos básicos da mecânica clássica concebida por Isaac Newton e que permaneceu totalmente válida até os primórdios do século XX.
O pressuposto básico do determinismo é que conhecendo as condições iniciais de um determinado fenômeno (na física tais condições são velocidade e posição), há condições de DETERMINAR seus estados futuros. Apesar desta visão ser válida para os macro fenômenos em que estão envolvidos objetos do mundo visível, não funciona no mundo invisível dos corpúsculos, ou partículas atômicas e subatômicas. Os princípios da mecânica clássica que dão conta da órbita dos astros não se aplicam à órbita dos elétrons, porque no micro mundo não valem mais as regras intuitivas que tanto facilitaram a nossa compreensão do universo até hoje.
A grande questão suscitada pelo Determinismo é que não basta defini-lo e guardá-lo na galeria dos fatos conhecidos e resolvidos, mas produzir reflexões válidas que construam uma ponte entre o determinismo e o acaso. O acaso pode ser simbolizado pelo prosaico jogo de cara/coroa – há o determinismo em se poder prever que só pode dar cara ou coroa, com 50% de chances para cada lado – porém, deterministicamente é impossível prever se numa jogada específica vai dar cara ou coroa, mesmo que se saibam os resultados de todas as jogadas anteriores. Quando entra o acaso, usam-se as fórmulas da matemática probabilística que não são suficientemente precisas para “prever” o resultado exato.
Imaginem vocês se fosse possível resolver o acaso do simples jogo de cara/coroa, por associação poderíamos supor que os jogos das loterias, que se assentam no mesmo princípio, se tornariam determinísticos, ou seja, os jogadores que se valessem de programas complexos de computador poderiam “determinar” os resultados do jogo previamente. Então os jogos seriam abolidos porque a quantidade de ganhadores seria tão grande e os prêmios tão pequenos, que a cobiça motriz dos jogos não mais os alimentaria.
Com este pequeno exemplo se percebe a verdadeira batalha que o ser humano trava para transformar fenômenos casuísticos em determinísticos. Na área das relações sociais determinadas pelas conquistas científicas, há a grande discussão em torno do determinismo genético. Antes do mapeamento do genoma humano, cada indivíduo era fruto do acaso com suas doenças, “taras hereditárias” e inclinações de caráter. No entanto, quando pouco a pouco são desvendadas as funções de cada gene, torna-se possível determinar, não com precisão absoluta, mas de maneira probabilística as possibilidades das pessoas contraírem câncer, diabetes, Alzheimer, doenças raras, etc. A posse destas informações pelos planos de saúde, seguros, empregadores, fará com que surja o fenômeno da discriminação genética, um tipo de abominação exaustivamente tratado no filme “Gattaca”.
A ciência é feita de permanentes tentativas de determinação dos fenômenos: o ideal científico máximo é a união das mecânicas existentes – a clássica do mundo macroscópico, a quântica do mundo microscópico e a relativista dos corpos que se movimentam próximos à velocidade da luz – tudo isto unido numa teoria de campo unificado. Esta sonhada teoria que consumiu os últimos anos de Einstein e continua sendo o Eldorado dos cientistas, nada mais é que a suprema tentativa de determinar o universo para que caiba dentro da finita compreensão humana.
Referência na Filosofia: Relevância do Determinismo.
Determinismo, genética, física, universo, Einstein, Isaac Newton, Gattaca, jogos, probabilística
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