A gênese de uma língua ferida, ou a tragédia da língua falida.
O paradoxo de tostines: “São fresquinhos porque vendem mais, ou vendem mais porque são fresquinhos?” parafraseado para a situação educacional no Brasil ficaria assim: “Os adolescentes são burros porque escrevem mal, ou escrevem mal porque são burros?” Responder ao paradoxo da língua falida talvez seja tão importante quanto inventar um “Fome Zero” que funcione.
"Um povo é a sua língua", é uma frase sintética que vista ao reverso retrata outro tipo de miséria. Não uma miséria concernente àquele tipo de fome combatido pelo falido programa “Fome Zero”, mas daquela que renegou a língua ao nível subalterno das cátedras científicas na gestão da educação.
Após as décadas de pensar um ensino rigorosamente cientificista, descobre-se um sistema educacional semelhante à metáfora Pinkfloidiana do moedor de carnes: a entrada de inocentes crianças de um lado, e no outro a saída de adolescentes burros vacinados contra a grandiosidade da sua língua pátria.
O vácuo resultante da visão sistêmica de aversão ao ensino humanista, trouxe como corolário o cultivo de uma nova forma de comunicação nascida nos “messengers” da Internet. O triste cumprimento da profecia do escrito inglês George Orwell em seu livro “1984”, uma língua miserável e contraída está aí: a Novlíngua como forma de dominação. A intensa participação em diálogos via teclado de computador usando sistemas de mensagens instantâneas, tais como MSN, Skype, ICQ, Meebo, Xfire, Yahoo!Messenger, etc, pode produzir alienação irreversível.
A princípio, os maus hábitos de escrita nascem sob a pressão da rapidez exigida pela comunicação teclada, mas acabam se alastrando a outros setores da vida cotidiana. Como resultado da desimportância do português, os adolescentes desenvolveram uma língua própria-empobrecida-retalhada, conseqüência da fome do espírito mais intensa do que a fome da carne combatida pelo fracassado “Fome Zero”.
A escassez lingüística pode ser constatada em sites, tais como o Yahoo!Respostas, onde é esperável que o usuário tivesse capacidade de enunciar perguntas claras - para que pudesse ser compreendido, mas em razão da sua compulsiva leniência, compõe aquilo que chamo de pérolas do Yahoo!Respostas - http://br.answers.yahoo.com:
“Eu queria sabe o que e introdusao? enredo?espaço?tempo?perssonage... pessouado narrador? oantagonistae potagonita”
“Qual é a profiçao que dar mais dinheiro ?”
“EU KERO UM SITEH DE UM JOGOH MAS NAUM ESSES Q TEM UMA PORÇAO DE JOGOS UNS LEGAIS ESPECIFIKOS DE UM JOGO TIPO HABBO LINEAGE E OUTROS”
“qro responde spbre naruto-arena qndo busca as prgunta so da pra ve o q eles perguntaram e num da pra responde como buscar”
“Poxa acho q niguem entendeu a minha pergunta naum.desconfigurou meu pc.? a bara ed inicialização onde ela fika é azul. esta na parte superior do pc.na parte de cima e não esta adiantando nada eu arrastar pq só vem até o meio... naum tem outras soluções?”
Risível seria, se não fosse trágico.
Professores, ainda tende certeza ao ler isso de que a vossa missão de fazer surgir luz das trevas da ignorância é exeqüível? Caso não seja, é chegado o momento de assumir a terra arrasada, indagando os porquês dos alunos serem burros por escreverem mal.
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