18/05/2013

No fim de tudo, só a verdade triunfa

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"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". (S. João  8.32)
Estou convencido de que a verdade é a única coisa na vida que vale a pena. Quando você vive a verdade, certamente a existência é mais espinhosa, porém com noites bem dormidas e podendo olhar a própria cara no espelho.

A verdade também é a força motriz das grandes obras de arte, pois não há um grande livro sequer que não tenha contado a verdade do seu autor, assim como não há pintura, escultura ou música. Por isso, as obras puramente ficcionais ficam restritas à ficção da poeira das prateleiras e não decolam, porque se não houver uma verdade robusta embasado-as, sua substância é tão sólida quanto palavras atiradas ao vento.

Na vida cotidiana a verdade é um bálsamo, já que se você serve a ela, não cai na desgastante rotina de servir a vários senhores ao mesmo tempo, isso porque a mentira é sempre legião. A verdade pode ser explicada de mil maneiras diferentes, mas será sempre a mesma verdade, enquanto a mentira terá mil versões diferentes, todas contraditórias.

Quem esposa a verdade, nunca estará sozinho, por outro lado, quem abraça a mentira, é uma questão de tempo para que todos o abandonem. Logo, surge uma pergunta: se a verdade é tão mais justa e benevolente, por que tanta gente abraça a mentira? Porque o encanto irresistível da mentira consiste justamente em provar o quanto a verdade é dura, machucante, ceifadora de oportunidades, provocadora de reações violentas, causadora de perdas, destruidora de relacionamentos.

Assim, às vezes a dor de expor a verdade nua e crua apresenta-se como um obstáculo intransponível, mesmo que lá no fundo a pessoa perceba que está decretando para si mesma uma escravidão futura sem fim. Pois a mentira atrai outra mentira e assim sucessivamente, enquanto a verdade simplesmente liberta, mesmo que, momentaneamente, à base de dor e rangeres de dentes.

Pense nisso na próxima vez que for confrontado pelos fatos e restarem somente duas opções: sair ileso pela tangente da mentirinha básica, ou manifestar a verdade e arcar no ato com as consequências. Tenha certeza que no momento em que a verdade ilumina, em futuras situações as pessoas envolvidas saberão que estão diante de uma pessoa de caráter e caráter não é um bem que se ganha de uma hora para outra, conquista-se ao longo dos anos de exercício abnegado da verdade, que custa muito suor para ser encampada.

15/05/2013

Estão matando o computador, mas alguém afundará com ele

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Minha mulher comprou um telefone desses ditos "inteligente", mais conhecido como smartphone, mas quem está emburrecendo é ela, depois que passou a se preocupar diuturnamente com a danada da carga da bateria que volta e meia está a 30%, o que em termos da "inteligência" desses telefones não é nada, uma metáfora equivalente a zero.

Enquanto a carga do meu burrofone dura 2 meses, o dela ela tem que sair por aí ligando promiscuamente em qualquer tomada de luz ou de carro, para alimentar aquele monte de estrume, digo inteligência, como se fosse um tamagotchi esfomeado. Ora, se já é verdade que os tais dos smartphones estão matando o computador, depois que a Microsoft inventou o fiasco do Windows 8 feito pra tablet ver, vejo que é verdade.

Entretanto, você não vai me convencer a abandonar o meu mainframe, afinal, alguém tem que afundar junto com essa coisa toda, alguém tem que continuar a se conectar somente quando senta na sua confortável cadeira Herman Miller Celle Chair repousando os olhos num confortável monitor de 20" Dell 2007 WFP com tela LCD de alta fidelidade cromática do tipo S-IPS.

Fora daí, nem o meu burrofone me tira do sério, pois na maior parte das vezes ele está bem desligadinho no bolso, economizando bateria. Por isso entendo pouco a geração do pescoço caído ficando cada vez mais burra na frente da telinha de telefones cada vez mais inteligentes. Será que a evolução natural da nossa espécie descambará para o desenvolvimento de olhinhos pequenos e pontudos de toupeira, dedos fininhos de guaxinim e pescoço calcificado e curvo de orangotango velho?

Acontece isso em todas as revoluções humanas, enquanto uns embarcaram na onda das geladeiras, carros e televisões, outros ficaram meio arredios ao estilo século dezenove. Agora, se sucede outra revolução em que as pessoas ficam conectadas até durante o cocô, sexo, sono, comida, cinema, aula, dolce far niente, direção do carro, discussão da relação, estudo, férias, recreio, piscina, doença, casamento. Agonia e último estertor?

Se eles estão matando o computador, agrada-me a ideia de que também estão cometendo suicídio, não aquele banal de se atirar de cima da ponte, mas a opção insidiosa de morrer de câncer provocado pela lenta irradiação de micro-ondas, não só, as vértebras cervicais C1 a C7 cobrarão o seu preço sob a forma de lesões invalidantes e permanentes – isso que não estou falando da deterioração da saúde em função das horas de imobilidade de queixo quase a encostar no peito.

Quem não virar um mutante baixinho, corcunda, míope, possuidor de dez tentáculos longos e fininhos viverá e verá o futuro sombrio.

Notícia inspiradora deste post:
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